A história dos transportes no Campo Grande – Parte VI – Chega a TUGRAN, e o transporte vai para o buraco

Postado por Redação Ônibus de Campinas em 7 de setembro de 2017 às 15:55

A empresa Transportes Urbanos Campina Grande (TUGRAN) foi constituída no final de 1988, justamente na mesma época em que foram às ruas os primeiros ônibus da Urbanos de Campinas, ou simplesmente URCA.

Todas as linhas que a Viação Campos Elíseos operava do Jardim Florence para frente foram repassadas para a TUGRAN, com exceção da linha 5.57 – Parque Itajaí.

Mais tarde foi criada a linha 5.75 – Parque Itajaí II, que também foi operada pela URCA. Nessa época ainda não existia o Terminal Campo Grande, que foi inaugurado pouco tempo depois e as linhas de bairro foram represadas ali, como Jardim Maracanã, Jardim Lisa, Campina Grande, Jardim Novo Maracanã e Jardim Santa Rosa.

Com o aparecimento de novos bairros, novas linhas foram sendo criadas.





Um dos ônibus da URCA que eram da Viação Campos Elíseos

Com sua pintura marron, a TUGRAN começou as operações com veículos caindo aos pedaços.

Para piorar, uma parte da frota foi comprada usada da cidade de São Paulo, que já estava bastante surrada.




A situação da TUGRAN era tão precária que a maioria dos ônibus sequer tinham lona de itinerário, com a identificação sendo feita apenas pela placa com o número da linha ou com papéis grudados no pára-brisas. Outros circulavam com lonas feitas muito porcamente que mal podiam ser lidas.

Quase toda frota era composta por ônibus fabricados entre o final dos anos 70 e início dos anos 80, ou seja, com mais de dez anos de uso.

Os veículos estavam surrados pois já rodavam em linhas bastante precárias em trechos sem asfalto, o que prejudica ainda mais as condições e a manutenção dos ônibus.

Moradores da região relatam que era muito comum pegar até quatro ônibus em um único sentido, já que os veículos viviam quebrando: o passageiro embarcava no primeiro ônibus, que logo quebrava.

Vinha outro, embarcava nele, e o ônibus quebrava também, até conseguir chegar no Centro.

Se hoje muita gente acha que a região do Campo Grande é distante, imagina no final dos anos 80 quando a Avenida John Boyd Dunlop ainda não era duplicada e para piorar, era precária.

As viagens eram muito mais demoradas e longas.

Os ônibus da Tugran, além de velhos, estavam em péssimo estado. Esse também era da Campos Elíseos.

A região do Jardim Rossim e do Jardim Florence também eram atendidas pela péssima TUGRAN.

O que agravava ainda mais a situação é que os ônibus eram muito pequenos, não sendo suficientes para atender toda a demanda.




Nessa época Campinas ainda não tinha ônibus articulados e ainda começavam a chegar os primeiros com três portas, por intermédio da URCA.

Muitos passageiros viajavam como “pingentes”, ou seja, pendurados nas portas de entrada e saída, correndo grande risco de acidentes.

Os ônibus eram tão velhos que a maioria deles sequer conseguiam subir o aclive da Rua Sales de Oliveira, próximo ao Colégio Julio Chevallier.

Quando tentavam subir, ou quebravam, ou voltavam de ré e ficavam na parte baixa da via.

A TUGRAN circulou em Campinas por pouco mais de um ano, mas ainda está muito clara na mente de muita gente.

Na próxima parte vamos comentar sobre a saída dela do sistema e o que a prefeitura fez a respeito.