A história dos transportes no Campo Grande – Parte VII – Prefeitura decreta intervenção na TUGRAN e donos somem da cidade

Postado por Redação Ônibus de Campinas em 14 de setembro de 2017 às 15:55

O calvário dos moradores da região do Campo Grande com a operação da TUGRAN parecia não ter mais fim. Ao longo do ano de 1988 e início de 1989 os ônibus continuavam quebrando com grande frequência, e os poucos que circulavam estavam em péssimo estado, além de serem muito pequenos para atender toda a demanda da área. A frota da TUGRAN era de apenas 47 veículos, todos sucateados.

No final de 1988 houve eleições municipais e quem ganhou foi o ex-presidente do Sindicato dos Petroleiros de Campinas e Região, o petista Jacó Bittar.

Cheio de ideias para a cidade, Bittar dizia que o transporte de Campinas era muito ruim e tinha a intenção de promover a municipalização de todo o sistema, fazendo com que as então operadoras deixassem as linhas para que a prefeitura assumisse toda a circulação. Mas enquanto não assumia, tudo continuava como estava.





Cartaz durante intervenção na VCG; O mesmo foi usado na intervenção da TUGRAN.

Os “empresários” donos da TUGRAN eram Romeu Marivaldo e Francisco Rodrigues de Souza Neto, pessoas sem qualquer experiência no setor de transportes e totalmente desconhecidos, o que fortalecia a história de que a criação da empresa realmente havia sido por conta de um pagamento de dívida a agiotas, operação que ainda era muito comum naquela época já que a rede bancária não era tão suscetível a empréstimos como hoje.




Assim que Jacó Bittar assumiu a prefeitura de Campinas, por intermédio de seu secretário de transportes Jurandir Fernandes, grande conhecedor da área, começou a ser articulada uma mudança na região do Campo Grande, que ainda sofria com a falta de infraestrutura e os maiores problemas ainda eram a falta de postos de saúde, a lerdíssima duplicação da Avenida John Boyd Dunlop, a falta de asfalto nos bairros da região e, obviamente, a TUGRAN.

Com a situação insustentável da empresa, na madrugada do dia 12 de fevereiro de 1989 a prefeitura decretou intervenção na TUGRAN.

Dessa forma, a SETRANSP (Secretaria de Transportes, que ainda cuidava do setor antes da EMDEC) assumiu a administração da empresa.

Os donos fugiram da cidade e nunca mais foram vistos, deixando tudo para trás. Jacó Bittar disse que a partir dali, se mais algum empresário de ônibus ainda tinha interesse em operar na cidade apenas para arrecadar dinheiro, sem compromisso com a qualidade do serviço prestado, deveria rever o pensamento pois a prefeitura iria agir fortemente em prol da população.

Isso foi um claro recado para a Viação Campos Gerais (VCG), que no ano anterior havia assumido parte das linhas da CCTC (Cia. Campineira de Transportes Coletivos), empresa que desistiu de operar na cidade e teve seus itinerários partilhados entre três outras viações: a Rápido Luxo Campinas (que criou a TUCA para operar essas linhas), a VBTU e a VCG.

A população reclamava muito da VCG por conta da precariedade de seus ônibus, a maioria ex-CCTC e muitos outros ônibus velhos trazidos de Curitiba, onde também operava.

Apesar da intervenção, pouca coisa mudou.

Os 47 ônibus encontrados na “garagem” da TUGRAN estavam tão ruins, que foi necessária uma reforma rápida para que a população do Campo Grande não ficasse totalmente sem transporte.
Na próxima semana, vamos contar o que aconteceu depois, com uma melhora considerável do transporte na região.