A história dos transportes no Campo Grande – Parte XIII – O Terminal Itajaí, sai a VISCA e entra a Viação Morumbi

Postado por Redação Ônibus de Campinas em 3 de dezembro de 2017 às 12:06

A chegada dos perueiros à cidade de Campinas desequilibrou todo o sistema de transporte público que viu a sua tarifa congelada por cerca de três anos. Para a população, foi bom pois do dia para a noite a oferta de transporte mais do que duplicou porém a qualidade foi ladeira abaixo.

Em meio a tudo isso, o então governo Francisco Amaral inaugurou quatro miniterminais de ônibus, sendo um deles no Parque Itajaí. O terminal, com o mesmo formato do Terminal Campo Grande, recebeu duas linhas de bairro que paravam no Campo Grande e ainda ganhou novas linhas para transportar a população da região com mais rapidez, já que ao menos um dos itinerários iam direto para o Centro. Apesar disso, o terminal acabou não dando certo. Com uma enorme evasão de tarifa em virtude dos passageiros entrarem no terminal indevidamente sem pagar a passagem (havia uma catraca de solo onde a pessoa pagava a passagem e dentro do terminal poderia pegar qualquer ônibus, assim como é no Campo Grande até hoje), a catraca acabou sendo retirada e o terminal foi aberto. As linhas de bairro que paravam ali foram transferidas de volta para o Campo Grande, ficando ali apenas as linhas que vão para o Centro. Por fim, o Terminal Itajaí transformou-se em um grande ponto final onde ficam os ônibus articulados que fazem as linhas massivas bairro-centro.

Voltando à questão dos perueiros, a Viação Santa Catarina foi mostrando-se insolvente por conta da concorrência predatória e teve que tomar medidas drásticas. Em 1999 os cinco ônibus articulados que circulavam na região foram retirados e enviados para Minas Gerais, onde circularam por uma outra empresa do mesmo grupo. Veículos usados começaram a ser trazidos, envelhecendo a frota já capenga. Apesar de boa parte da frota ter menos de cinco anos, toda ela já estava extremamente precária.

Em 2000 a empresa perdeu 24 linhas para a VBTU Transportes, ficando apenas com as 16 da região do Campo Grande e do Itajaí. A operação diminuiu mas continuou precária. Cada vez mais a empresa mostrava-se sem condições de continuar circulando e as greves se avolumavam. Salários atrasados e péssimas condições de trabalho motivavam a paralisação dos funcionários da VISCA. Após meses operando com cerca de 3/4 da frota que deveria estar nas ruas, a prefeitura cassou a permissão de operação da empresa, porém não colocou uma outra empresa no lugar.

Quando a VISCA foi cassada, a região do Campo Grande ficou 10 dias sem ônibus. As outras empresas que operavam na cidade cederam um ônibus cada uma para “ajudar” na operação. Os terminais Campo Grande e Itajaí ficaram fechados pois esses seis ônibus não entravam dentro deles, e foram apenas um enorme paliativo e uma grande festa para os perueiros que aproveitaram a calamidade para faturar.

Após dez dias, a prefeitura de Campinas anunciou a contratação da Viação Morumbi para operar nas linhas. De imediato a Morumbi assumiu os veículos da VISCA mas encontrou ao menos 15 ônibus parados sem peças, em cima de cavaletes. A garagem da VISCA estava instalada no Parque Santa Bárbara, no antigo galpão da empresa de coleta de lixo Vega Sopave. Os veículos que restaram foram transferidos para um terreno no Jardim Santa Rosa e de imediato foi anunciado que seriam trazidos quinze veículos usados para tentar retomar as rédeas da operação, mas isso não aconteceu. Foram trazidos apenas cinco ônibus usados de Minas Gerais. No próximo capítulo, que será o último, contaremos a reorganização dos perueiros, a operação da Viação Morumbi, a licitação e a chegada da Itajaí Transportes.