As pinturas diferentes dos ônibus de Campinas entre 1989 e 1993. Entenda o porquê disso

Postado por Redação Ônibus de Campinas em 19 de fevereiro de 2017 às 14:56

Uma dos grandes legados do governo Jacó Bittar (1989 – 1992) foi o sistema de transporte. Apesar dos problemas que o acometeram, o transporte campineiro nessa época viveu o seu auge, inclusive sendo eleito o segundo melhor do país, perdendo apenas para Salvador.

Essa pintura do Caio Vitória Scania K112 da VBTU sinaliza que o veículo foi comprado com dinheiro da linha de financiamento da prefeitura com o BNDES.

Bittar implantou um grande programa de renovação de frota, já que quando assumiu os ônibus campineiros eram muito velhos. Para isso, conseguiu uma enorme linha de crédito junto ao BNDES para facilitar a compra dos novos veículos pelas então operadoras do sistema. Quando assumiu o governo, as empresas que operavam em Campinas eram: Empresa Bortolotto de Viação, Viação Campos Gerais, Viação Bonavita (VBTU), Viação Santa Catarina, Transportes Urbanos de Campinas (TUCA), Urbanos de Campinas (URCA), Transportes Urbanos Campina Grande (TUGRAN) e a Rápido Luxo Campinas. As oito empresas tiveram grandes incentivos para renovar a frota porém nem todas souberam aproveitar a oportunidade ou utilizaram de má-fé.

Uma delas foi a Viação Campos Gerais, então recém-chegada à cidade convidada para assumir uma das três fatias das linhas da CCTC, que deixou a cidade em 1988 após um desacordo em relação à Câmara de Compensação Tarifária. Além de trazer vários ônibus velhos das outras cidades onde operava (Curitiba e Ponta Grossa, no Paraná), com o dinheiro que pegou do BNDES fez a compra de ônibus novos que circularam poucos dias por aqui, sendo repassados logo em seguida para essas cidades. Ao descobrir a falcatrua, a empresa foi convidada a se retirar da cidade, sendo substituída pela Viação Itacolomy, da cidade de Ouro Branco/MG.

O Monobloco Mercedes-Benz O-371U da Viação Santa Catarina não tinha a faixa vermelha, ou seja, não usou a linha de crédito Prefeitura / BNDES.

Os ônibus comprados com esse dinheiro tinham uma pintura diferenciada. Eles receberam uma faixa vermelha em toda a volta do veículo. O problema é que com o tempo toda a frota acabou recebendo essa faixa vermelha, não sendo mais possível identificar os ônibus mais novos. A faixa vermelha foi abolida no governo seguinte, mantendo-se apenas a cor base de cada empresa e sem o logotipo do governo.

A única empresa que não tinha faixa vermelha era a EMDEC, que substituiu a Tugran, pois sua pintura já era toda dessa cor. O que auxiliava na diferenciação era que os ônibus antigos dela tinham apenas o prefixo, não levavam a sigla da empresa, e os comprados zero quilômetro tinham a nomenclatura completa.