Canteiro de obras do BRT está no antigo VLT

Postado por Redação Ônibus de Campinas em 24 de Maio de 2017 às 09:50

Com informações do Correio Popular

Foto: Leandro Ferreira / AAN

O consórcio BRT-Campinas, formado pelas empresas Arvek, DP Barros, Empav, Trail e Pentágono, começou a montar nesta terça-feira o canteiro de obras para a implantação dos corredores do BRT.

A construção começará pelo Corredor Campo Grande, no lote que ligará o Terminal Mercadão, no Centro, até a Vila Aurocan, em 4,3 quilômetros e mais o Corredor Perimetral, com 4,1 quilômetros.

Os dois trechos estão orçados em R$ 88,9 milhões. Para a Administração, a chegada das máquinas representa o início da construção dos corredores, seis anos após a Prefeitura ter decidido abandonar dois outros projetos fracassados, o veículo leve sobre trilhos (VLT), da década de 90, e o veículo leve sobre pneus (VLP), de 2009, para apostar no ônibus rápido.




ENTENDA: O BRT é um sistema rápido de transporte que já existe no Brasil, e até no exterior.

O secretário de Transportes, Carlos José Barreiro, informou que a perspectiva é que as máquinas comecem a abrir caminho para o primeiro trecho do corredor em julho — o cronograma oficial é agosto, mas ele acha possível antecipar a largada das obras em um mês. Lembrando que a Prefeitura já mudou o prazo original falado à imprensa, e talvez essa seja uma forma de tentar “consertar” o erro.

Nesse período, o concessionário do trecho limpará o terreno no bairro Bonfim, cedido pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU), e instalará a infraestrutura necessária ao maquinário e funcionários que trabalharão nas obras, ao mesmo tempo em que conclui o projeto executivo do trecho.

O projeto do BRT está orçado em R$ 451,4 milhões e os recursos para as obras já estão viabilizados para garantir a construção dos corredores Campo Grande, Ouro Verde e Perimetral.

SAIBA MAIS: na semana passada, Prefeitura assinou contrato de empréstimo de R$ 100 milhões para poder pagar as contrapartidas. E foi aí que foi anunciada a mudança do início das obras.




Histórico do transporte “melhor” é bem nebuloso em Campinas

Foi um longo caminho na tentativa de dotar Campinas de um sistema de transporte de média capacidade. Primeiro, a Prefeitura tentou ressuscitar o VLT, que circulou entre 1990 e 1995 e representou o maior fracasso da área de mobilidade.

Foto retirada do livro “Trilhos e Linhas – História do Transporte Urbano Em Campinas”, de Marcos Pimentel Bicalho

Com ele, o governo conseguiu jogar no lixo US$ 120 milhões gastos nos trilhos e nas estações, algumas das quais nunca chegaram a funcionar. Mais conhecido pela denúncia de irregularidades na contratação da obra (superfaturamento e licitação viciada) que pelos benefícios que trouxe à população, o VLT nasceu da tentativa do ex-governador Orestes Quércia de cooptar o prefeito Jacó Bittar, então recém-saído do PT. O projeto esbarrou em “dificuldades técnicas” que as seguidas liberações de recursos não conseguiram contornar.

Depois, em 2009, a Prefeitura apostou no modelo europeu do veículo leve sobre pneus (VLP). Na época, a Administração apresentou ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) uma proposta preliminar do projeto, orçado então em R$ 960 milhões, entre recursos públicos e privados, para atender 220 mil passageiros por dia.

O alto custo do projeto, e a falta de adesão do empresariado do setor de transportes, a quem caberia a aquisição dos veículos — uma espécie de metrô de superfície — fizeram a Prefeitura abandonar a ideia.

A mudança e as plenas vantagens do sistema só serão sentidas quando puderem circular em via segregada, de forma que haverá redução dos tempos de embarque e desembarque de passageiros, por ser composto de veículos com grande número de portas e de plataformas niveladas ao piso do ônibus. Outra vantagem será o pagamento fora do veículo, as estações fechadas e seguras e os mapas de informação em tempo real.