Cápsula do tempo é encontrada em Minas Gerais

Postado por Redação Ônibus de Campinas em 17 de Abril de 2017 às 10:09

Com informações do G1 Sul de Minas

Foto: Reprodução EPTV

Moedas, fotos, jornal… Materiais que ficaram enterrados por cerca de 48 anos foram encontrados em Cabo Verde, região de São Sebastião do Paraíso, sul de Minas Gerais. Uma cápsula do tempo, enterrada pelo prefeito da cidade, foi revelada durante a reforma de uma praça. Moradores daquele ano, marcado pela ditadura militar, gostaram de reviver as lembranças daquela época.

O ano? 1969. Intelectuais, artistas e jovens, que tinham ideias contrárias ao governo da época, eram torturados ou exilados. Quando Médici assumiu a presidência, começava a onda de maior repressão política do Brasil. Ao mesmo tempo, acontecia o chamado milagre econômico, que trouxe crescimento e investimento industrial para o país. Enquanto isso, os jovens, inspirados pelo Festival de Woodstock, recebiam a influência de um dos maiores movimentos culturais do mundo: o hippie.

São acontecimentos importantes que estão registrados em livros e filmes. Mas em 1969, enquanto tudo isso acontecia no Brasil, o que será que marcava a história de uma cidadezinha no interior de Minas Gerais, como Cabo Verde? Tudo poderia ser esquecido, não fosse pela ideia de moradores daquela época que decidiram enterrar uma “cápsula do tempo” bem na praça central da cidade. A cápsula, na verdade, é um saco plástico com alguns objetos. O material foi encontrado e desenterrado durante a reforma da praça. “Com o início das obras de revitalização da praça, a gente foi derrubar o palanque e aí encontramos a cápsula do tempo”, conta o chefe de cultura do município, Luis Gustavo Cândido.

Quem enterrou a cápsula?

Quase 50 anos depois, Galdino Norberto de Paula viu o passado surgir em sua frente. Filho do prefeito na época, ele ajudou a enterrar a “cápsula” e ainda guarda as fotos daquele dia. “Na época era a energia da prefeitura e a Cemig veio pra cá. Então a praça, o palanque foi pra marcar a inauguração e a instalação da Cemig”, lembra o produtor rural.

Um jornal também foi enterrado, e quem diria? O editor da época pôde ver novamente as notícias. Um produto típico da região era o principal assunto. “O produto agrícola mais importante que nós colhemos aqui, que é o café. Então os insumos, a propaganda das máquinas agrícolas era o que custeava o jornal”, conta o advogado Vantuil de Paula.

Uma tragédia também marcava a história da cidade. O jornal mostrava um acidente com ônibus, que deixou mortos e feridos. “O ônibus perdeu o freio e foi cair lá na ponte do ribeirão, que existe até hoje”, conta de Paula.
A cápsula ainda trazia cédulas da moeda nacional da época, o Cruzeiro, e o nosso país tinha outro nome: República dos Estados Unidos do Brasil. Para estas pessoas, as lembranças trouxeram saudades e um sentimento de gratidão. “Saudade, época do namoro, do noivado ‘né’? A nostalgia é total”, comenta o farmacêutico João Batista de Morais.

Tudo o que foi encontrado vai ficar em exposição na Câmara Municipal de Cabo Verde a partir desta terça-feira (18). E o achado ainda inspirou a nova geração: os alunos das escolas da cidade vão fazer uma nova cápsula do tempo, que daqui a 50 anos, vai contar outras histórias a serem lembradas.