Crise no Hopi Hari: energia é cortada. Agora só com gerador

Postado por Redação Ônibus de Campinas em 24 de Abril de 2017 às 20:12

Com informações do G1 Campinas e Exame

Foto: Fernando Pacífico / G1 Campinas

O parque de diversões Hopi Hari teve a energia elétrica cortada por falta de pagamento. Segundo funcionários, o estabelecimento está funcionando por meio de gerador. A Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) confirma a suspensão do serviço, que ocorreu no dia 10 de abril, e afirma que a medida representa o último recurso da concessionária diante do débito do cliente.

A assessoria do Sindicato dos Trabalhadores de Parques de Diversão (Sindiversão) disse que não sabia do corte de energia, já que não recebeu nenhuma denúncia de trabalhadores. Em relação ao fracionamento dos salários, a entidade ressaltou que seria uma das formas encontradas pelo estabelecimento para tentar quitar as dívidas.

Em nota, o novo presidente do Hopi Hari, José Luiz Abdalla, disse que como o parque mudou de gestão no dia 29 de dezembro passa por um período de transição e que o estabelecimento está em fase de reestruturação.
“A energia elétrica fornecida pela CPFL foi interrompida por não termos chegado a um acordo sobre formas de pagamento de dívidas antigas – o que esperamos aconteça em breve. O Hopi Hari tem tomado todas as medidas necessárias para continuar funcionando normalmente para o seu público, com todas as garantias”, informa no documento.

Morte no parque foi o começo do fim

Em janeiro, a Justiça condenou três funcionários do parque de diversões Hopi Hari pela morte da estudante Gabriela Yukari Nichimura em fevereiro de 2012. De acordo com o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), os réus receberam a sentença de 2 anos e 8 meses de prisão no processo por homícidio culposo, mas o juiz reverteu a pena para prestação de serviços à uma comunidade e pagamento de um salário mínimo para uma entidade social.

Segundo o TJ-SP, outros cinco funcionários foram absolvidos. “Os acusados foram denunciados porque se omitiram ao deixar de tomar os cuidados para impedir a utilização da cadeira – desativada há mais de dez anos –, que não possuía cinto de segurança e que havia apresentado problemas no colete de proteção no dia do incidente”, diz o texto da nota. No total, 12 pessoas são julgadas no processo.

De acordo com o promotor do caso, Rogério Sanches, o processo foi desmembrado e a condenação publicada pelo TJ-SP abrange apenas os funcionários que trabalhavam na operação e manutenção do brinquedo que a adolescente caiu.
Os outros quatro réus são ex-diretores e o ex-presidente do parque Armando Pereira Filho, que havia sido excluído do julgamento, mas voltou ao processo após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Eles não têm prazo para serem julgados.

Sanches ainda afirmou que achou a condenação justa e não deve recorrer da pena aplicada pelo magistrado. No entanto, o Ministério Público vai recorrer da absolvição de quatro funcionários.

Desde o acidente, o Hopi Hari perdia dinheiro. O parque teve de ser fechado por conta do acidente, agravando a crise. O faturamento bruto, à época, era em torno de R$ 100 milhões e, desde então, vem caindo.

Recuperação judicial tenta reverter quadro

Em agosto de 2016 o parque entrou na Justiça com pedido de recuperação judicial, apresentado pela empresa e suas controladoras – HH Parques Temáticos e HH Participações S/A, na Comarca de Vinhedo, de acordo com comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Com uma dívida de cerca de R$ 300 milhões – dos quais R$ 200 milhões contraídas com o BNDES e o restante nas mãos de debenturistas (detentores de títulos) e outros credores–, a companhia não tem conseguido gerar caixa.

Em julho, a empresa passou por um revés, aprofundando sua crise. A Justiça de São Paulo autorizou o empresário Cesar Augusto Federmann, um dos credores da companhia, a fazer a retirada de uma montanha-russa do parque. Borges afirmou que a companhia fechou acordo sobre esse tema. Essa montanha-russa era uma das grandes atrações e promessa de receita para a companhia.

O parque de diversões recebe, em média, 80 mil visitantes por mês e o período de alta temporada é de setembro a janeiro.