Anos 2000

Foto retirada do livro “Trilhos e Linhas – História do Transporte Urbano Em Campinas”, de Marcos Pimentel Bicalho

Entrava o ano de 2000, com eleições à vista.

Cansada de tanto sofrer, Campinas coloca o candidato da prefeitura em uma das últimas colocações e elege Toninho, do PT para prefeito.

Francisco Amaral fechava seu governo com 40 novos ônibus, e se dizia orgulhoso por ter sido responsável pela legalização dos perueiros na cidade.

Mas Francisco Amaral fez coisas contra as empresas que ninguém sabe.

Ele mandava retirar ônibus de linhas com bastante passageiros para aumentar o tempo de espera.

Assim, os perueiros levavam mais gente. Várias linhas de ônibus foram extintas por culpa de Francisco Amaral.








Em fevereiro de 2000, a maior empresa de ônibus da cidade, a Viação Santa Catarina, repassa 24 linhas à VBTU, pois declara-se sem condições de operá-las. Em março, a Viação Santa Catarina enfrenta uma greve de 10 dias, deixando o Campo Grande sem ônibus. Várias empresas cedem carros para operarem lá. Depois desse período, a empresa é vendida para a Viação Morumbi, de Macapá. As operações começam sem 12 ônibus que estavam sem condições alguma de rodar. Assim, a Morumbi traz para a cidade 15 carros usados para amenizar o problema.

Toninho assume em janeiro de 2001 e já recebe um pedido de reajuste da tarifa. Ele condiciona o aumento da tarifa à compra de 130 novos ônibus. Com situação financeira delicada, as empresas declaram que podem comprar só 100. O prefeito aceita e sobe a tarifa em agosto. Os novos ônibus já vieram com a nova pintura do sistema: branco, com faixas azul claro e marinho, e duas andorinhas, além dos dizeres SIT Campinas, o prefixo do veículo e a sigla da empresa, que não aparecia nas pinturas antigas. Os seletivos tiveram tarifa reajustada para R$1,50, passando a ser um serviço diferenciado.

No dia 10 de setembro, o prefeito Toninho foi assassinado, e a vice Izalene assume, continuando com os projetos de Toninho para o transporte coletivo. O secretário de transportes, Marcos Pimentel Bicalho, é mantido.

Foto retirada do livro “Trilhos e Linhas – História do Transporte Urbano Em Campinas”, de Marcos Pimentel Bicalho

Em 2002, o transporte alternativo foi devidamente regulamentado e assumiu o seletivo, que as empresas tiveram que deixar de operar. Os carros foram padronizados e ganharam pintura própria: azul escuro, com faixas branca e azul claro, e andorinhas, além do prefixo e do SIT Campinas. A diferenciação na tarifa continua, apesar da chiadeira dos perueiros. Houve uma seleção para linhas alimentadoras, que deveriam ser operadas pelos perueiros. Mas dos 483 regulamentados, apenas dois aderiram a esse modalidade. Com isso, a ideia foi abandonada e todos acabaram ficando no seletivo mesmo.

Foto retirada do livro “Trilhos e Linhas – História do Transporte Urbano Em Campinas”, de Marcos Pimentel Bicalho

Campinas fechou 2002 com mais de 270 novos ônibus comprados no governo Toninho/Izalene, cerca de 7 vezes mais que o governo Francisco Amaral em quatro anos. As pinturas dos ônibus, do transporte seletivo e até dos táxis da cidade foram padronizadas, desta vez por lei assinada pela prefeita. Todos têm cores azul e branco, além das andorinhas, um símbolo da cidade.

O governo de Izalene foi muito criticado, e foi levado meio que em “banho-maria”, depois da morte do prefeito titular. Mesmo assim, a renovação de frota continuou e 2004 foi fechado com cerca de 500 novos ônibus comprados, aquisições essas sempre vinculadas à reajustes na tarifa. Nesse ano, venceu as eleições para prefeito o dr. Hélio de Oliveira Santos, depois de três tentativas, e escolhe o sr. Gerson Luis Bittencourt, ex-presidente da SPTrans de São Paulo, para ser o secretário de transportes.

Em abril de 2005, surpreendendo toda a opinião pública, o governo Hélio, que estava até então dando continuidade ao Sistema Integrado de Transporte e havia prometido a integração tarifária em toda a campanha, anuncia o InterCamp, um sistema de transporte coletivo urbano totalmente novo, mudando prefixos de linhas, pinturas, prevendo oito novos corredores e várias estações de transferência, que são espécie de miniterminais. No mesmo ano, foi aberta licitação pública para a contratação de novas empresas para a operação das linhas da cidade.

O InterCamp começou a ser implantado ainda com as antigas empresas em operação. As linhas foram redirecionadas para as novas quatro áreas operacionais, e a divisão ficou assim, a partir de maio daquele ano, quando os primeiros ônibus na nova pintura foram entregues, em cerimônia no Terminal Campo Grande:

  • Área 1 (Azul claro) – URCA
  • Área 2 (Vermelho) – VBTU e Viação Morumbi
  • Área 3 (Verde) – Bortolotto e TUCA
  • Área 4 (Azul escuro) – VBTU e Rápido Luxo Campinas

O ônibus quando chegou zero quilômetro, em dezembro de 2005.




Esses ônibus dessa entrega também eram os primeiros com porta à esquerda, para operação nos futuros corredores exclusivos com essa aplicação. Os ônibus passaram a ter nova pintura padrão, de acordo com a cor da sua área operacional. As cores foram escolhidas de acordo com a legislação vigente, que ordena que as cores dos ônibus da cidade sigam as cores que existam no brasão do município. Em março de 2006, foi lançado o Bilhete Único, o novo cartão de bilhetagem do transporte coletivo urbano de Campinas, que consiste em utilizar três ônibus dentro do período de uma hora e pagar apenas uma passagem. Esse tempo, aos domingos e feriados, é ampliado para duas horas. Na mesma entrevista coletiva de lançamento, são apresentados os novos prefixos das linhas de ônibus da cidade, além de novos itinerários. No primeiro final de semana de março, começou a reorganização das linhas da cidade, com a alocação de cada linha em cada nova área operacional, e mudam também os prefixos das linhas. No começo houve confusão, mas logo a população se habituou.

No dia 29 de abril de 2006, começou a operação do Bilhete Único, com muitos problemas. O sistema de bilhetagem eletrônica entrou em pane, e os ônibus circularam por dois dias sem cobrança de tarifa.  No dia 01 de maio de 2006, as novas empresas assumem as linhas da cidade, e o sistema fica assim:

  • Área 1 (Azul claro) – VB Transportes
  • Área 2 (Vermelho) – Consórcio Cidade de Campinas – CONCICAMP (Expresso Campibus e Itajaí Transportes)
  • Área 3 (Verde) – Consórcio URBCAMP (VB Transportes e Pádova Coletivos)
  • Área 4 (Azul escuro) – Onicamp Transportes Coletivos.

No final de semana anterior, 30 linhas foram repassadas para cinco cooperativas, recém-formadas, para operação em modo convencional. As cooperativas eram: Cotalcamp, Altercamp, Coopercity, Cooperatas e Cooperselc. Nessas linhas, houve operação conjunta das linhas até que houvesse padronização de qualidade no serviço. Algumas dessas linhas circularam em conjunto até 2008, quando a última da cidade, a 249, passou integralmente a ser operada pela então Cooperselc.




Em 2007, a Onicamp Transportes é vendida para o grupo da Itajaí Transportes, que assume parte das linhas e mantém o nome da empresa. O restante das linhas foi assumido pela VB Transportes, e um ajuste na legislação transferiu essas linhas para a área operacional 1, com mudança na cor dos ônibus dessas linhas e mudança nos prefixos. Em 2008, a cooperativa Coopercity declara-se insolvente e abandona suas linhas, assumidas pela Cotalcamp e pela Altercamp.

Nesse mesmo ano, as empresas compram os primeiros ônibus sem portas à esquerda desde 2005, já que não havia previsão da construção dos corredores prometidos. Em 2009, mesmo ano em que começa o segundo mandato do dr. Hélio como prefeito, a Expresso Campibus é vendido para o grupo NIFF.

Atualmente, o sistema de transporte de Campinas ainda aguarda a construção das estações de transferência prometidas, e a implantação de parte das novas linhas prometidas em edital, o que não ocorreu até hoje. O fim das linhas diametrais também não ocorreu, e parte das linhas implantadas com o novo sistema voltaram a ser como antes, por força de pressão popular.

Em maio de 2009 foi deflagrada uma greve geral no transporte campineiro, a primeira desde a implantação do InterCamp (houve uma outra em 2008, mas apenas a empresa VB1 parou, e por menos de um dia), depois de uma assembleia comandada pelo sindicato da cidade, enfraquecido depois de denúncias de corrupção feitas pela TV Globo e imprensa local um ano antes.

A paralisação durou três dias, e as reivindicações foram aceitas em parte. A divisão da categoria ficou clara nesses dias, pois parte da frota entrou em operação, mesmo com o perigo de apedrejamento.

Nos dois últimos dias, a prefeitura fez a operação “comboio”, onde ônibus circularam em grupos de 3 ou 4 e com escolta da Guarda Municipal, com auxílio da PM, levando a população nas horas de pico para seu trabalho ou casa.

No último dia, boa parte da frota já voltava às ruas à noite, mesmo com parte dos grevistas em frente ao TRT esperando o resultado da reunião entre os patrões e os grevistas.

No final daquela noite, outra assembleia, melancólica e desesperada do sindicato, praticamente implorou pelo fim do movimento, em troca de poucos reajustes, o que foi aceito por parte dos manifestantes. O saldo da paralisação foi 57 veículos depredados, alguns motoristas feridos e um preso.

A frota de Campinas hoje é de mais de 1200 veículos, sendo desses, 840 ônibus e o restante micro ou miniônibus das cooperativas. A renovação de frota continua forte e a previsão é que em 2010, 100% da frota da cidade seja nova, e até 2012, toda a frota seja acessível a pessoas de baixa mobilidade. Atualmente, cerca de 25% da frota é acessível.




 

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