Hospital Municipal de Paulínia não faz cirurgias. Motivo? Greve da limpeza

Postado por Redação Ônibus de Campinas em 30 de Abril de 2017 às 07:00

Com informações do Correio Popular, G1 Campinas e Prefeitura de Paulínia

Foto: CEDOC / RAC

A empresa terceirizada que presta serviços de limpeza para a Prefeitura de Paulínia deixou de limpar o hospital municipal na noite de quinta-feira por falta de pagamento. A empresa trabalhava em caráter emergencial porque o Executivo está sem contrato para esse serviço. Devido à sujeira, a unidade suspendeu ontem de manhã parte do atendimento à população. Quatro cirurgias eletivas (agendadas) e 20 consultas foram canceladas. Entretanto, mesmo com a falta de higienização, o hospital manteve o atendimento de urgências e emergências, não transferindo esses casos para outras localidades, o que preocupou a população.
“A informação de que o Hospital foi fechado é inverídica e nenhum caso classificado como urgência ou emergência deixou de ser atendido”, informou a Prefeitura, por meio de um comunicado.
“Ainda bem que nem ninguém da minha família precisou de pronto atendimento nesta sexta-feira no hospital. Imagina como deve ser você ser atendido em um lugar que tem que estar muito limpo, pra evitar complicações médicas, mas que está sem limpeza. Se o prefeito precisar de UTI (unidade de terapia intensiva), como é que ele iria se sentir se fosse internado lá?”, questiona a dona de casa Rosa de Oliveira, de 43 anos.
O Poder Executivo deve cerca de R$ 40 milhões à empresa Corpus. O débito, segundo a Prefeitura, foi feito por administrações anteriores aos do prefeito Dixon Carvalho (PP). “A interrupção (da limpeza) foi realizada por decisão unilateral da empresa. A atual gestão (municipal) já havia formalizado acordo junto à Corpus para que os serviços permanecessem em funcionamento. A paralisação, portanto, descumpre os termos firmados no acordo”, informou a nota do Poder Executivo.




O que diz a Prefeitura e a empresa?

Em nota, o secretário de Saúde de Paulínia negou que os atendimentos de urgência e emergência tenham sido interrompidos. “Certamente houve algum erro de informação e comunicação quando essas pessoas [pacientes] chegaram no hospital. Em nenhum momento foi fechado de forma oficial, por orientação da secretaria ou direção do hospital”, afirmou Cláudio Miranda.

“A interrupção dos serviços de limpeza foi realizada por decisão unilateral por parte da empresa […]. Vale ressaltar, contudo, que a atual gestão já havia formalizado acordo junto à Corpus para que os serviços permanecessem em funcionamento”, diz texto da assessoria da Prefeitura.

Segundo o governo, um pregão para contratação de um novo serviço de limpeza está previsto para 5 de maio. Além disso, o Executivo garantiu que já iniciou os reagendamentos de pacientes afetados pela mobilização desta sexta-feira e que tomou providências para normalizar o serviço.

A Corpus se limitou a informar que está em negociação com o governo municipal. “Por prezar pelo bem-estar da população, a Prefeitura tomou novas providências para que os serviços de limpeza fossem retomados com urgência e o atendimento foi normalizado algumas horas após o ocorrido”, completou o informe, que não explicou quem limpou o hospital.

“Se a Prefeitura está tirando servidores de um lugar para por no hospital, tá vestindo um santo e descobrindo outro. Quer dizer, é sempre a população que sai prejudicada, porque os impostos a gente paga”, disse o eletricista Carlos da Silva Almeida.

Um pregão para a contratação de uma nova empresa está previsto para 5 de maio, mas não foi divulgado como a limpeza será realizada até lá.