Licitação dos pontos de ônibus de Campinas não teve interessados

Postado por Redação Ônibus de Campinas em 10 de Janeiro de 2017 às 21:54
A licitação para a concessão dos abrigos de ônibus em Campinas não interessou aos empresários. Na abertura das propostas comerciais, nesta terça-feira, ninguém apostou nesse projeto, o que obrigou a Prefeitura a declarar a licitação deserta. O secretário de Transportes, Carlos José Barreiro, disse que ainda fará uma análise do motivo da falta de atratividade dessa concessão, mas a princípio, afirmou, pode ser devido ao atual momento econômico do País. “O empresariado está com receio de assumir contratos de longo prazo e com algum risco associado”, disse.
A concessão dos abrigos de ônibus foi o primeiro de um pacote de seis projetos que integram o programa de concessões que o prefeito Jonas Donizette (PSB) vai adotar para ampliar investimentos para projetos de infraestrutura e enfrentar a crise econômica que reduziu as receitas municipais. Barreiro disse que vai reavaliar o processo, fazer alguns ajustes e republicar a licitação em breve.
A previsão da Prefeitura era arrecadar pelo menos R$ 4 milhões com a outorga que daria direito ao setor privado explorar os pontos de ônibus por 20 anos. Além da outorga, o Município teria também uma participação na receita publicitária da empresa vencedora, entre 2% e 3%. A vencedora da licitação teria 42 meses para instalar 1,8 mil novos abrigos e 3 mil totens informativos de horário e itinerários e sua receita virá da exploração publicitária desses espaços.
O advogado Carlos Henrique Ferreira, que representa um empresário que chegou a se interessar pelo projeto dos abrigos, disse que o desinteresse surgiu assim que o edital da licitação foi publicado. “O investimento seria grande, a outorga pedida é alta para uma receita incerta. Quem vencesse teria que correr atrás de publicidade para ter algum faturamento e com a crise que vivemos, sem indícios de como será o futuro, ninguém quer arriscar”, afirmou.
A Secretaria de Transportes decidiu conceder os pontos de ônibus à iniciativa privada para poder resolver problemas atuais como a falta de padronização dos abrigos e placas existentes, poluição e falta de identidade visual, ausência de demarcação dos locais de parada que dificultam os usuários e operadores de transportes, o custo e dificuldade para manutenção dos mobiliários existentes.
O projeto previa que os abrigos seriam cobertos, com bancos de assentos individuais e para pessoas obesas e espaço para cadeirantes. O piso seria em concreto vassourado com sinalização tátil de alerta e direcional, demarcando o local de embarque, iluminados com LED e disponibilidade de tomadas tipo USB para carga de celular, lixeiras e informações sobre itinerários e horários dos ônibus.
A motivação da concessão é a melhoria da infraestrutura de mobilidade urbana dos pontos de parada de ônibus, com requalificação e padronização dos equipamentos, além da garantia da manutenção, conservação e limpeza dos mobiliários. Além disso, há a motivação financeira, com a obtenção de receita com a outorga de concessão e participação mensal na receita publicitária, além da desoneração dos custos públicos dos serviços de manutenção e conservação.
Com informações do Correio Popular