Mário Gatti cancela cirurgias. Vírus forte lotou UTI Infantil

Postado por Redação Ônibus de Campinas em 25 de abril de 2017 às 19:32

Com informações da CBN Campinas e G1 Campinas
Um vírus respiratório grave que está circulando em Campinas causou superlotação na UTI pediátrica do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti. A doença gerou uma reorganização na unidade, que precisou suspender as cirurgias eletivas.

Dez leitos da UTI de adultos foram disponibilizados às crianças. Salas do hospital também estão sendo adaptadas para atendimento pediátrico.

O VSR, vírus sincicial respiratório, está mais agressivo esse ano, gerando necessidade de internação com oxigênio e atinge principalmente crianças até 2 anos de idade. Ainda não há vacina contra ele. “Esse ano temos um quadro mais agressivo, que pega crianças menores. O grau de agressividade desse vírus está maior. Antes, a criança conseguia melhorar com inalação. E agora depende de internação com oxigênio”, disse o presidente Marcos Pimenta ao G1.

A doença causa dificuldade para respirar e o tratamento é feito por meio de hidratação e de utilização de parelhos de cuidados respiratórios. O período de atividade do vírus varia de sete a dez dias. A necessidade de priorizar esses atendimentos de urgência e emergência causou a suspensão das cirurgias programadas.

As cirurgias suspensas por tempo indeterminado são as de menor risco e não afetam as pessoas que já estavam internadas fazendo a preparação para os procedimentos.

O hospital realiza de 25 a 35 cirurgias por dia e a estimativa é que sejam suspensas 10 por dia. O hospital, que costumava atender cerca de 300 pacientes por dia no pronto-socorro pediátrico, tem recebido 400 crianças por dia. A doença gerou o dobro de demanda em leitos de UTI pediátrica na cidade.

A Secretaria de Saúde precisou adequar também outros cinco leitos para receber crianças no Hospital Ouro Verde. Até uma brinquedoteca teve que ser adaptada para ser utilizada como UTI, com climatização do ambiente e aluguel de respiradores. “Tivemos que locar equipamentos, respiradores, torpedos de oxigênio para fazer a assistência a essas crianças. A criança mais complexa depende mais de assistência, e é por isso que a gente está deslocando o pessoal”, completou o presidente do Mário Gatti.




A orientação é que a criança seja levada ao atendimento médico logo que apresentar dificuldade para respirar. Pode haver alterações pulmonares mais graves, como bronquiolite e pneumonia. O vírus pode também contagiar adultos e idosos, mas não há outras pessoas internadas no hospital, além das crianças.

Os sintomas das pessoas com VSR são principalmente falta de ar e pode ocorrer febre alta, além de coriza e chiado no peito. Para evitar o contágio é preciso manter a higiene de mãos e evitar locais com aglomeração de pessoas. A transmissão desta doença é por via aérea.

O médico infectologista do Departamento de Vigilância em Saúde de Campinas, Rodrigo Angerami, disse que o vírus sincicial geralmente antecipa o da influenza e a tendência é de que até o mês de junho, os dois circulem ao mesmo tempo.

Enquanto isso, Prefeitura cria leitos “provisórios” em outros hospitais

A Secretaria de Saúde de Campinas informou que os cinco leitos provisórios de UTI pediátrica que serão instalados na brinquedoteca do Hospital Ouro Verde devem estar disponíveis a partir da semana que vem. A direção da unidade de saúde havia pedido ao município um prazo de 30 dias para fazer a adequação.

O secretário de Saúde de Campinas, Cármino de Sousa, afirmou que pediu a direção do Hospital Ouro Verde que faça a ampliação da UTI pediátrica provisória em pelo menos uma semana.

Segundo ele, a unidade de saúde chegou a pedir um mês para as adequações, mas a situação é urgente e por isso deve ser resolvida rapidamente.