Menos da metade dos infectados por HIV e tuberculose tomam antirretroviral

Postado por Redação Ônibus de Campinas em 6 de Janeiro de 2018 às 16:10

Menos da metade das pessoas que têm tuberculose e foram infectadas pelo vírus HIV tomam o remédio antirretroviral no Brasil.

Apenas 41,8% dos pacientes de tuberculose com coinfecção por HIV fazem uso da terapia antirretroviral (TARV) no país, enquanto no mundo o percentual foi de 85%, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Quando associadas e não tratadas, as duas infecções podem provocar outras doenças e diminuir a sobrevida do paciente.

Pessoas que vivem com HIV/aids no Brasil estão 28 vezes mais propensas a desenvolver a tuberculose, uma das doenças que mais matam no mundo e que ocupa a nona posição no ranking geral de mortes no mundo.








As informações constam do último relatório global da tuberculose elaborado pela OMS e divulgado no fim do ano passado.

Segundo o documento, o Brasil está entre os 20 países com a maior carga de pessoas com tuberculose e infectadas com o vírus HIV.

Em 2016, além do Brasil, outros cinco países tinham menos de 50% dos pacientes infectados pelas duas doenças em tratamento antirretroviral: Congo, Gana, Guiné-Bissau, Indonésia e Libéria.

No Brasil, a tuberculose é a principal causa de morte de pacientes que vivem com o vírus da imunodeficiência humana.

De acordo com o mais recente panorama de mortalidade da tuberculose disponível no país, seis em cada dez das pessoas que morreram por HIV em 2014 tinham tuberculose como causa associada do óbito.

A OMS estima que ocorreram, em 2016, cerca de 1,3 milhão de mortes no mundo por tuberculose entre pacientes não infectados pelo vírus HIV e 374 mil mortes entre os soropositivos, o que corresponde a uma média de mil mortes por dia.

No Brasil, no mesmo ano, foram mais de 5 mil mortes por tuberculose e quase 2 mil pela coinfecção tuberculose e HIV.

Segundo o Ministério da Saúde, pacientes coinfectados com tuberculose e HIV que tomam os medicamentos 35% mais chance de cura e morrem 44% menos por tuberculose do que os pacientes que não usam a terapia.

A OMS também ressalta que a maioria das mortes por tuberculose pode ser prevenida com diagnóstico precoce e tratamento adequado.

A organização calcula que entre os anos 2000 e 2016 foram evitadas 53 milhões de mortes de pessoas que foram diagnosticas e tratadas com sucesso.

Entre as pessoas diagnosticadas com tuberculose e HIV, há o desafio de garantir a total adesão à terapia antirretroviral (TARV) ou à terapia de combate à tuberculose.

Seja por falta de acesso aos medicamentos ou por rejeição aos efeitos colaterais da terapia, muitos pacientes enfrentam dificuldades para seguir o tratamento de forma adequada.




O Brasil apresenta tendência de estabilização das taxas de infecção por HIV e tem atualmente cerca de 830 mil pessoas convivendo com o vírus.

Em 2016, foram diagnosticados no país cerca de 38 mil novos casos.

O volume, no entanto, ainda aponta para uma epidemia, em que uma pessoa é contaminada a cada 15 minutos.

Dados do último boletim epidemiológico de HIV e aids apontam que duas a cada dez pessoas infectadas com o vírus ainda não estão vinculadas a nenhum serviço público de saúde e podem não estar seguindo regularmente o tratamento para controlar a carga viral e fortalecer a imunidade contra doenças consideradas oportunistas, como a tuberculose.

No Brasil, os últimos dados divulgados pelo Ministério da Saúde apontam melhora no diagnóstico e no acesso ao tratamento de pessoas soropositivas.

Em 2016, cerca de 70% das pessoas vivendo com HIV apresentavam adesão suficiente à terapia.

Contudo, desde 2013, o Ministério alerta que persiste em 9% a taxa de abandono ou interrupção do tratamento.