Funcionários da Rápido Luxo estão com 13º e cesta atrasadas; E vem aí o aumento da tarifa

Postado por Redação Ônibus de Campinas em 26 de dezembro de 2016 às 21:15
Chegamos a mais um final de ano e mais uma vez a nossa caixa de mensagens fica cheia de mensagens de funcionários do grupo Rápido Luxo Campinas reclamando que estão com salários atrasados, que não receberam todo o décimo-terceiro salário (outros não receberam nem um centavo ainda) e que também não receberam a cesta básica. Como já é sabido, o grupo alega estar com dificuldades financeiras em virtude da queda no número de passageiros por conta da crise nacional. Até aí, é uma justifica plausível, mas sabemos muito bem que pelo menos em Campinas a prefeitura foi conivente com a redução de frota para “ajudar” as empresas nesse momento “difícil”.
Em julho deste ano teve o chamado “horário de férias”, onde parte da frota é recolhida já que não há a circulação de estudantes e consequentemente o número de passageiros cai. Como houve esse caso da “crise”, a prefeitura de Campinas, comandada pelo sr. prefeito Jonas Donizette e a EMDEC, comandada pelo sr. Carlos José Barreiro, foram coniventes com a continuação dessa redução de frota, ou seja, mesmo com o fim das férias a frota continuou reduzida, assim como está até hoje. E com o fim do período letivo, está correndo um boato de que a Transurc, que é o sindicato que representa as empresas de ônibus urbanos de Campinas, já solicitou à EMDEC nova redução da frota novamente justificando “horário de férias”. Oras, desse jeito daqui a pouco não teremos mais ônibus circulando. Lembramos que isso é apenas um boato e não temos confirmação se realmente essa solicitação estapafúrdia foi feita.
Mas voltando ao caso da Rápido Luxo Campinas, coincidentemente esses problemas acontecem sempre no final do ano e no começo do ano seguinte. Lembram no ano passado, em janeiro, quando Campinas enfrentou graves problemas na distribuição de combustível nas empresas do grupo? A VB1 e a VB3 até iam aos postos de combustíveis da região abastecer seus veículos com míseros 100 litros cada carro alegando que o “caminhão de combustível não havia chegado a tempo” ou que “a bomba de combustível estava com ar”. Desculpas extremamente esfarrapadas mas que deram certo: semanas depois de toda essa confusão, que prejudicou a população, a prefeitura de Campinas aumentou o valor do subsídio às empresas, isso porque a tarifa tinha acabado de ser reajustada de R$ 3,50 para R$ 3,80.
Agora chegamos a mais um período de reajuste de tarifa e esses problemas de pagamento recomeçam. Para juntar a isso, há a questão da integração de Valinhos, onde a Rápido Luxo Campinas alega prejuízos operacionais com o transporte gratuito na rodoviária da cidade. Essa integração realmente é prejudicial não só para a Rápido Luxo mas também para a Sancetur / Sou Valinhos. Em nenhum lugar há integração entre empresas diferentes sem subsídio ou pagamento de diferença de tarifa, pois de alguma forma as duas empresas devem ser remuneradas, mas nesse caso a culpa é da EMTU, que não está nem aí para nenhuma das empresas daqui da região e está se lixando para o que ocorre. Por isso houve o pedido de liminar já que a EMTU se isentou de culpa. Agora, a Rápido Luxo Campinas começa o jogo baixo, começando com o atraso de salários, entre outros problemas que visam prejudicar a operação.
Por que o poder público não toma as devidas providências? Uma greve está iminente em todo o grupo, de acordo com informações que estão chegando a todo momento. Em Campinas talvez não ocorra nenhuma paralisação já que o sindicato da cidade não toma nenhuma providência concreta a respeito, mesmo com os atrasos prejudicando os trabalhadores. Fiquem atentos à essa questão dos atrasos nos pagamentos dos funcionários: o aumento das tarifas estão para chegar e tudo isso é pressão para que a tarifa aumente no patamar que querem. E com a queda no subsídio em Campinas, quem vai pagar isso, mais uma vez, é o povo.
E não podemos nos esquecer que desta vez há uma questão central: a Prefeitura de Campinas sempre alega que o reajuste é necessário para o pagamento da frota nova, reajuste de salários e de insumos. Desta vez Campinas não recebeu nenhum ônibus novo (exceto a Itajaí Transportes que recebeu os veículos elétricos e as cooperativas que compraram ônibus usados), e mesmo que os insumos, sobretudo o óleo diesel tenha subido, a parcela referente aos ônibus novos deveria ser levada em consideração para a redução do cálculo, assim como a redução da frota circulante desde julho. Menos ônibus, menos gastos. Ah! E não temos mais cobradores, ou seja, menos gastos ainda.
No fim, tudo continuará como está: tarifa mais cara do país, funcionários com salários atrasados, frota velha, e prefeitura se esquivando do assunto.