Prefeitura anuncia corte no subsídio e tarifa de ônibus deve subir mais do que o previsto

Postado por Redação Ônibus de Campinas em 20 de dezembro de 2016 às 09:23

O aumento na tarifa de ônibus de Campinas, a ser anunciado em janeiro, poderá ficar acima da inflação, porque a Prefeitura não subsidiará a passagem nos mesmos níveis dos anos anteriores. O prefeito Jonas Donizette (PSB) disse ontem que a Secretaria de Transportes ainda não concluiu os estudos, mas que a crise econômica, que corroeu as finanças municipais, não permitirá que a Prefeitura faça aportes significativos para as empresas, incluindo o sistema alternativo, que operam o transporte coletivo público e o Programa de Acessibilidade Inclusiva (PAI), como ocorreu nos últimos três anos.

“Hoje vivemos uma realidade econômica de queda de receita, que não mais permite garantir o subsídio como vinha sendo feito. O ideal seria não fazer nenhum aporte no sistema, mas alguma coisa teremos que bancar para que os usuários não sejam penalizados com uma tarifa alta”, disse o prefeito. A tarifa atual custa R$ 3,80.

Este ano, a Prefeitura repassou R$ 95 milhões ao sistema de transporte coletivo, 111% a mais que em 2015. Desse total, R$ 83 milhões foram para as empresas, incluindo o sistema alternativo, que operam o transporte coletivo público, e R$ 12 milhões para o PAI. Em 2014, o subsídio foi de R$ 68,4 milhões. Jonas disse que a intenção é acabar com o subsídio, mas para isso haveria necessidade de elevar demais a tarifa, o que não é possível, segundo ele.

O Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano e Urbano de Passageiros da Região Metropolitana de Campinas (SetCamp) informou que está finalizando a planilha de custos do transporte para definir um valor de tarifa necessário à garantia do equilíbrio financeiro das empresas.

O subsídio ao sistema de transporte coletivo começou a aumentar em 2013, quando ocorreram manifestações em todo o País contra os preços praticados pelo transporte.
Em julho daquele ano, Jonas havia reduzido a tarifa de R$ 3,30 para R$ 3,20, após o governo federal ter zerado a cobrança das alíquotas do PIS e da Cofins. Naquele mesmo mês, ele fez uma segunda redução, para R$ 3,00, levando em conta o momento de conflito que havia no País e o clamor da população.

Isso levou a ampliar o valor do subsídio dado ao sistema, para garantir a operação e o equilíbrio econômico das empresas. Desde o ano passado, Jonas vem fazendo estudos para cortar o subsídio, mas mesmo agora em que as finanças municipais estão combalidas, ele vai manter o financiamento às empresas, só que em valores menores. Para zerar o subsídio, a tarifa teria que ser muito elevada.

Fonte: Maria Teresa Costa / Correio Popular