O dia em que a população cansou de tantas greves e destruiu os ônibus no meio da rua

Postado por Redação Ônibus de Campinas em 5 de fevereiro de 2017 às 12:45

A destruição maior ficou concentrada na região da Vila Rica, na descida da Amoreiras.

Entre 1998 e 2000 diversas paralisações das empresas de ônibus de Campinas deixaram a população na mão. A briga entre motoristas, cobradores, empresários e perueiros causaram grandes danos para todo o sistema de transporte da cidade e o usuário do sistema era sempre o mais prejudicado.

Na foto acima, uma greve iniciada no meio do expediente causou a revolta da população. Era por volta de 16 horas quando os motoristas simplesmente abandonaram os ônibus no meio da rua e foram embora à pé. Cansada de tanto sofrer com o precário sistema, a população desceu dos veículos e começou a depredar tudo o que via pela frente. Os ônibus que ficaram parados no corredor da Avenida das Amoreiras foram os mais atingidos pela depredação generalizada.

As greves foram acompanhadas de perto pela imprensa. A antiga Folha Campinas publicou uma reportagem em novembro de 1998 logo quando mais uma greve começava.

A greve atingiu 90% da categoria, que tem 4.500 trabalhadores na cidade, segundo a Transurc (Associação das Empresas do Transporte Coletivo de Campinas).
O Sindicato dos Condutores Rodoviários de Campinas e Região fez uma proposta aos empresários do setor para pagar a primeira parcela do 13º salário no dia 27 e transferir o adiantamento para o próximo dia 5.
Os proprietários das empresas de ônibus não aceitaram a proposta e afirmaram que, com a greve, o pagamento deve ficar comprometido para o próximo dia 27.
A Transurc calcula que as empresas tiveram um prejuízo de R$ 350 mil com a greve de ontem.
Os sindicalistas, que ameaçaram impedir o trabalho dos perueiros, recuaram da decisão de atrapalhar a atividade alternativa na cidade.

O ano de 1999 começou com expectativa de dias melhores, mas pouca coisa avançou. Logo em janeiro, a possibilidade de uma greve assombrava os moradores da cidade (reportagem da Folha Campinas)

Motoristas e cobradores do transporte coletivo de Campinas ameaçam fazer nova paralisação, caso não recebam os 50% dos salários de janeiro hoje, segundo acordo firmado com as concessionárias de ônibus da cidade.
De acordo com o diretor do sindicato Ravail Teodoro Alves, a categoria acredita que os salários serão pagos hoje, já que a prefeitura está fiscalizando o tráfego de peruas clandestinas na cidade.

Em maio de 1999, houve ameaça de demissão dos funcionários grevistas. O jornal Diário do Grande ABC publicou uma reportagem sobre o assunto

A Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas (Transurc) ameaça demitir pelo menos 600 dos 4,1 mil trabalhadores que atuam no sistema. A medida foi anunciada nesta sexta-feira pelo presidente da entidade, Armando Damaceno, depois que a Justiça do Trabalho determinou a manutenção de benefícios que os empresários pretendiam cortar. O anúncio do corte motivou uma greve que paralisou totalmente a categoria e deixou 300 mil pessoas sem transporte nesta quinta-feira.

“Se houver demissões, vamos parar outra vez”, reagiu o presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Rodoviário de Campinas e Região, Mário de Oliveira Santana. A categoria decidiu suspender a greve ontem, depois da liminar que obriga as empresas a manter o pagamento de vale refeição, convênio médico e cestas básicas. Segundo ele, o corte nesses benefícios resultaria numa redução de até 40% nos salários dos trabalhadores.

Os motivos da greve não são muito diferentes dos atuais. As empresas ameaçaram cortar benefícios, como plano de saúde, e também enfrentavam atrasos no repasse dos vales-refeição e salários. Em junho, outra greve tumultuou a vida do campineiro. Outra reportagem do Diário do Grande ABC detalhava o tamanho do prejuízo ao comércio.

De acordo com a Associação Comercial e Industrial, o número de consultas ao Serviço de Proteção ao Crédito caiu 20% em comparação com os dias em que o transporte coletivo funciona normalmente. O diretor do Departamento de Economia da entidade, Laerte Martins, disse que o número de consultas ao SPC reflete diretamente o movimento no comércio. Sem transporte coletivo, afirmou, os prejuízos são inevitáveis.

O sistema só voltaria a operar em paz em 2001, com a entrada do prefeito Toninho e uma pequena reorganização do transporte.