Opinião: De quem é a culpa das brigas no Shopping Unimart?

Postado por Redação Ônibus de Campinas em 12 de março de 2017 às 12:31

Foto: Divulgação General Shopping Brasil

 

Ontem o Jornal da EPTV 1ª Edição mostrou um vídeo gravado na noite anterior que mostra uma briga na saída da praça de alimentação do Shopping Unimart, em Campinas. Essa situação é muito mais comum do que parece. Quem mora na região e frequenta o espaço com certa regularidade sabe que às sextas-feiras a situação por lá é bastante complicada mas não vem de hoje.

Para quem não viu a notícia e o vídeo, clique aqui.

PEQUENO HISTÓRICO
O Unimart Shopping Campinas foi inaugurado em 1 de outubro 1994 pelos mesmos donos da DPaschoal Pneus e Serviços. Tido como um mall de bairro com apenas dois corredores e um número reduzido de lojas (se comparado com o Iguatemi, na época o maior shopping da cidade), na época aproveitou-se a oportunidade de desenvolvimento da região por conta da recém-inauguração do Hipermercado Enxuto, aberto cinco anos antes. Até 1989 toda a região era desprovida de serviços e contava apenas com edificações empresariais, como a sede da Construtora Lix da Cunha (atual sede da Claro). Com a chegada do Enxuto e logo depois o Unimart na mesma quadra, a região teve um enorme surto de crescimento que ainda não terminou. Város prédios residenciais foram construídos ao redor e a Avenida John Boyd Dunlop recebeu melhorias.

ENCONTRO DE PICHADORES
Em 1997 o Unimart Shopping virou ponto de encontro de pichadores todas às sextas-feiras à noite. Ali ficavam reunidos (sempre do lado de fora) os pichadores que faziam parte do grupo dos RGS (Registrados), enquanto os rivais OS+IM (Os + Imundos) se concentravam no Teatro de Arena do Centro de Convivência. Apesar de ser um encontro de pichadores, raramente aconteciam confusões. Acontecia de seguranças pedir a saída do pessoal da calçada do shopping e todos iam para as imediações do Enxuto, de onde saíam mais tarde para pichar.

SHOPPING DE BAIRRO
Apesar desses encontros às sextas-feiras, o Unimart Shopping seguia sua rotina de “shopping de bairro”, com a antiga praça de alimentação sempre muito cheia (aos finais de semana sempre faltavam lugares para todos). Com a chegada das agências do Banco Itaú, Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, a região ficou muito melhor atendida e houve um aumento no número de frequentadores, que aproveitavam para comprar presentinhos e fazer uma refeição. Aos domingos as famílias da região iam até lá para almoçar e fazer pequenas compras.
Com a inauguração do Parque D. Pedro Shopping em 2002, a vocação para shopping de bairro ficou ainda mais forte, já que com linhas de ônibus passando pela Avenida John Boyd Dunlop e indo para lá, os deslocamentos ficaram mais fáceis e o Unimart reforçou seu vínculo com os bairros ao redor. Apesar disso, a falta de reformas e de estabelecimentos novos foram deixando-o obsoleto. Nem a churrascaria Espeto de Prata que havia onde hoje está a Lojas Americanas acabou sobrevivendo por conta disso (isso porque aos domingos o local ficava cheio. Até música ao vivo tinha ali).

A VENDA DO SHOPPING E A EXPANSÃO
Em 2008 o Unimart foi vendido para o grupo General Shopping Brasil, um grande grupo que controla outros 14 shoppings como o Internacional de Guarulhos, o Outlet Premium São Paulo em Itupeva e controlou o Shopping Light na capital paulista, vendido em 2015. Em 2012 foi feita uma grande reforma que resultou na expansão das operações do Unimart. O antigo estacionamento aberto foi fechado para receber a nova praça de alimentação e mais um corredor de lojas. De parte da DPaschoal no local ficaram apenas a loja de mesmo nome, com saída para a John Boyd e a Academia Unifit, de propriedade dos filhos dos controladores da empresa. A ampliação do shopping deu uma nova cara ao local e atraiu mais visitantes.

OS ENCONTROS DE SEXTA NÃO TERMINARAM
Os encontros às sextas-feiras, que antes eram entre pichadores, nunca acabaram. O pessoal foi mudando (os pichadores de 20 anos atrás envelheceram e abandonaram as ruas ou tiveram um outro rumo), as pessoas mais jovens foram chegando e assim permanecem até hoje. Com a moda dos chamados “rolezinhos” (encontros marcados através da internet) o Unimart virou um desses pontos de encontro aproveitando as antigas reuniões de sexta à noite. Depois de algumas brigas dentro do espaço, o shopping colocou seguranças em todas as portas para tentar “filtrar” os visitantes, mas mesmo assim muitos deles conseguem entrar sem nenhum problema.

Foto: Divulgação General Shopping Brasil

A INAUGURAÇÃO DO SHOPPING PARQUE DAS BANDEIRAS
Com a chegada do Shopping Parque das Bandeiras em 9 de novembro de 2012, o Unimart viu uma mudança no perfil do seu público. Os chamados ‘briguentos’ acabaram indo para o shopping concorrente, deixando o perfil mais familiar para o lado de cá da Anhanguera. O público familiar do Unimart aumentou e o Bandeiras ficou com o público mais jovem que se reúne aos finais de semana. Mas não se esperava que isso mudaria tão rapidamente.

OPINIÃO – A CULPA É DE QUEM?
Com o aumento no número de pessoas propensas à confusão, o Bandeiras fechou as suas entradas (inclusive as de carros), fazendo uma enorme triagem e impedindo o acesso de quem não tem documentos ou que já tem histórico de brigas no local. Os boatos de “rolezinhos” no Bandeiras diminuíram muito (os boatos afastavam as pessoas de lá) e o espaço voltou a receber mais visitantes. O pessoal barrado no Bandeiras voltaram para o Unimart, que afrouxou seu controle de acesso, isso porque as pessoas que arrumam confusão e vão lá estão em sua enorme maioria à pé (o que facilita ainda mais a triagem). A segurança do Unimart é extremamente falha. No final do ano passado, em uma sexta à noite, presenciamos uma briga dentro da praça de alimentação: um jovem bugrino bateu em um outro que estava com a camisa da Ponte Preta. Os amigos de ambos já saíram com cadeiras na mão para tacar uns nos outros. Os seguranças levaram mais de dez minutos para subir e controlar a situação, isso porque apareceram apenas três e agarraram apenas os dois que brigaram (um deles apenas apanhou e mesmo assim foi expulso do espaço). Os demais foram sendo retirados aos poucos em bando, por outros dois seguranças.
Pelo visto no vídeo exibido pela EPTV Campinas, houve mais uma vez demora na chegada dos seguranças. É notável a falta de segurança no local já que dificilmente se vê um andando por lá, deixando a impressão que reduziram pessoal para cortar custos. Neste ano foram poucas as sextas-feiras que haviam seguranças nas portas impedindo a entrada de pessoas que causam confusão lá dentro, contrastando com o ano passado, quando praticamente todas às sextas e sábados tinha controle de acesso.
Quem frequenta muito o shopping também notou uma drástica queda no número de visitantes. Era muito comum a praça de alimentação ficar lotada, sobretudo após o dia de pagamento mas atualmente nem isso está acontecendo, ficando a impressão que o pessoal migrou para o Bandeiras ou outros shoppings. E é isso que irá acontecer cada vez mais: as pessoas que vão ao shopping para comprar ou passear deixarão de ir ao Unimart já que sabem que não terão sossego lá. Não podemos creditar apenas à crise do país o grande número de lojas fechadas lá, já que algumas delas apenas mudaram de lugar: saíram do Unimart e reabriram no Bandeiras. Ou o Unimart (o maior culpado de tudo o que tem acontecido) reforça a segurança e coloca ordem no lugar, ou a região perderá um importante centro de compras e lazer.