Por que Carlos José Barreiro é o pior secretário de transportes que Campinas já teve?

Postado por Redação Ônibus de Campinas em 2 de junho de 2017 às 16:28

O transporte coletivo de uma cidade depende, na maioria das vezes, das decisões que partem da Secretaria de Transportes, e em Campinas a situação anda um pouco complicada. Nos últimos anos, o comando do transporte está nas mãos do engenheiro elétrico Carlos José Barreiro.

As escassas decisões são em geralmente baseadas em interesses políticos que passam muito longe da realidade da população.

Campinas já teve grandes prefeitos e também grandes secretários de transporte. Como a história é muito longa, vamos aqui pontuar alguns momentos em que as decisões foram muito importantes e que afetaram diretamente a população.

1979 – GOVERNO FRANCISCO AMARAL – FIM DO MONOPÓLIO DA CCTC

Foto: Acervo Mário Custódio

Nesse ano, a prefeitura acabou com o monopólio de mais de 20 anos da CCTC (Companhia Campineira de Transporte Coletivo, do grupo da Viação Cometa S/A) e abriu uma concorrência para que as empresas que já operavam em trechos não atendidos pela CCTC fossem efetivadas.

Foram escolhidas: Empresa Bortolotto, Rápido Serrano, Capritur – Caprioli Turismo, Viação Santa Catarina, Viação Campos Elíseos, Rápido Luxo Campinas, Viação Bonavita, AVA – Auto Viação Americana e a própria CCTC, que ficou com as linhas mais rentáveis.

Notem que nessa época a cidade era praticamente metade do que é hoje e haviam NOVE empresas operando. Hoje, são apenas QUATRO (levando em consideração que as VBs 1 e 3 são do mesmo grupo, assim como a Itajaí e a Onicamp), uma concentração enorme de linhas nas mãos de poucas empresas.

A quebra do monopólio foi contra os interesses da CCTC mas resolveu temporariamente um problema crônico na época, que era a falta de transporte em bairros considerados muito distantes.

Foto retirada do livro “Trilhos e Linhas – História do Transporte Urbano Em Campinas”, de Marcos Pimentel Bicalho

1986 – GOVERNO MAGALHÃES TEIXEIRA – INTERVENÇÃO NA VCE

A Viação Campos Elíseos sofreu intervenção da prefeitura, pois a frota estava caindo aos pedaços. A prefeitura assumiu a operação e reorganizou a frota antes de devolvê-la aos donos.

Depois disso houve outras intervenções. Uma delas foi na Viação Santa Catarina, pelo mesmo motivo.

Durante o governo Magalhães Teixeira várias greves foram deflagradas, uma delas a maior da história da cidade – que durou 14 dias.

Os chamados fura-greve tinham autorização para parar longe dos terminais a fim de evitar os piquetes.

Durante essas greves a prefeitura também fazia requisição de frota (retirava os ônibus à força da garagens para serem operados por funcionários da própria prefeitura).

Foram ações pontuais que mostraram um pulso muito firme da administração pública.




1989 – GOVERNO JACÓ BITTAR – ÔNIBUS EMPRESTADOS

Foto retirada do livro “Trilhos e Linhas – História do Transporte Urbano Em Campinas”, de Marcos Pimentel Bicalho

Jacó encontrou uma frota bastante velha em circulação e se negou a reajustar as tarifas do transporte. As empresas que operavam na época fizeram um locaute (espécie de greve de empresários) e levaram os veículos embora da cidade. Campinas ficou dez dias sem ônibus.

Nesse período, o secretário de transportes era Jurandir Fernandes. Em contato com a prefeitura de São Paulo, conseguiu 100 ônibus emprestados da hoje extinta CMTC para circular durante um final de semana de campanha de multivacinação, e outros 100 ônibus foram emprestados pelo Governo do Estado da frota da EMTU. Esses ficaram na cidade até o problema do locaute ser solucionado.

Foto retirada do livro “Trilhos e Linhas – História do Transporte Urbano Em Campinas”, de Marcos Pimentel Bicalho

No final, a tarifa acabou sendo reajustada e os ônibus voltaram. Após isso, Jacó conseguiu uma linha de financiamento junto ao BNDES para viabilizar a renovação da frota de ônibus de Campinas a juros baixos. Paralelamente, a prefeitura fez melhorias no viário e estatizou as linhas que atendiam a região do Campo Grande, passando para as mãos da EMDEC.

A ideia inicial era fazer com que todo o sistema fosse municipal, mas isso era inviável. Jacó saiu da prefeitura com alta reprovação popular mas deixou Campinas com uma das frotas mais novas do país e o segundo melhor sistema de transporte do país, perdendo apenas para Salvador. E foi neste governo que, em parceria com o Governo do Estado, foi instalado o sistema de VLT, que ligou o Centro à Vila Rica.

1997 – GOVERNO FRANCISCO AMARAL – PERUEIROS

Foto retirada do livro “Trilhos e Linhas – História do Transporte Urbano Em Campinas”, de Marcos Pimentel Bicalho

Foi uma das piores fases do transporte por ônibus na cidade, com o envelhecimento da frota por conta da entrada dos chamados “perueiros”.

O secretário de transportes na época era o engenheiro Amando Telles Coelho, considerado o pior secretário de transportes da história (até agora), pois fazia um jogo de empurra-empurra e não decidia nada. Tudo acabava caindo nas costas da Câmara ou do próprio Francisco Amaral.

Várias greves foram deflagradas, ônibus incendiados e a cidade ia parando aos poucos. Apesar de todos esses problemas, Amaral seguiu firme em seu propósito de manter os perueiros na cidade com a justificativa de que as empresas de ônibus não estavam mais atendendo a população com qualidade. E realmente não estavam.

No final do mandato, a Viação Santa Catarina faliu, deixando a região do Campo Grande sem ônibus por dez dias. Parte das linhas foram remanejadas para a VBTU.




Foto retirada do livro “Trilhos e Linhas – História do Transporte Urbano Em Campinas”, de Marcos Pimentel Bicalho

2001 – GOVERNO ANTONIO DA COSTA SANTOS – RENOVAÇÃO DA FROTA

Governo muito curto mas que teve um ótimo início. Vinculou o reajuste da tarifa à compra imediata de 100 ônibus zero quilômetro. Compra feita, o reajuste foi autorizado. A frota foi apresentada à população e começou a circular no dia seguinte.

2002 – GOVERNO IZALENE TIENE – REORGANIZAÇÃO

Reorganizou os perueiros, passando-lhes a operação do hoje extinto sistema seletivo e deu início ao fim da concorrência predatória. Reorganizou algumas linhas e fez importantes projetos na área de mobilidade, por intermédio do seu secretário de transportes, Marcos Pimentel Bicalho, grande conhecedor da área – e que escreveu um livro contando a história do transporte de Campinas.

2005 – GOVERNO HÉLIO DE OLIVEIRA SANTOS – LICITAÇÃO

Apesar de fazer grande maquiagem na cidade, implantou alguns corredores no Centro, reorganizou as paradas e as padronizou, fez a licitação do transporte (direcionada, de acordo com a justiça, mas fez), reorganizou todas as linhas da cidade, construiu a nova Rodoviária, e deixou algumas coisas prontas ou iniciadas para serem implantadas pelos governos seguintes, como o BRT. Entregou mais de 1000 ônibus zero quilômetro em sete anos.

2013 – GOVERNO JONAS DONIZETTE – ERROS E ENROLAÇÃO

Primeiramente comete o equívoco de colocar o então vereador Sérgio Benassi, que é veterinário, como secretário de transportes. Depois, passaram outros dois secretários (um deles André Aranha, então funcionário de carreira da Emdec), até chegar a Carlos José Barreiro.

Desde então pouquíssimas coisas foram feitas na cidade na área de mobilidade. Uma ciclovia ali, outra ali, a frota de ônibus só envelhecendo, enrolou com o BRT por cinco anos, não fez a licitação que a justiça determinou, gastou fortunas com projetos que nunca vão sair do papel, e ainda mente para a imprensa (que não conhece a realidade) falando sobre projetos mirabolantes, coisas que não aconteceram, sempre se esquivando de perguntas incisivas.

Hoje a frota de ônibus de Campinas é uma das mais velhas, mesmo com a tarifa sendo uma das mais altas do país.

A quantidade de ônibus nas ruas caiu, melhorias não acontecem há tempos e o Barreiro, dando entrevistas na TV falando sobre coisas que não existem. Só quem mora aqui para saber o drama que é o transporte público da cidade.

Tudo é muito lento, só sai depois de muita briga, e enquanto isso o senhor Barreiro em sua sala com ar condicionado, acompanhando tudo à distância, sem conhecer a realidade das ruas.

Por tudo isso e pelo histórico, o Barreiro está se esforçando ao máximo para ser o pior secretário de transportes da história, isso se já não o for.