Programa Parto Adequado agora também é feito na Maternidade de Campinas

Postado por Redação Ônibus de Campinas em 11 de outubro de 2017 às 08:55

Em comemoração aos 104 anos de sua fundação – agora em 12 de outubro – a Maternidade de Campinas inaugura esta semana as instalações que abrigarão o Centro Administrativo Dr. Eduardo Pereira de Almeida e anuncia a inserção na segunda fase do Programa Parto Adequado, uma iniciativa da Agência Nacional de Saúde Suplementar para a redução das cesáreas desnecessárias e a melhoria no atendimento às gestantes e aos bebês.

A proposta do PPA é mudar o modelo assistencial, qualificando a atenção ao parto e ao nascimento para reduzir as intervenções cirúrgicas desnecessárias e, com isso, reverter os indicadores que transformaram o Brasil no país campeão de cesáreas.








Responsável por cerca de 60% dos partos realizados em Campinas (cerca de 950 por mês) e referência na região para o atendimento às gestantes de alto risco, a Maternidade registrou 7.658 partos no período de janeiro a setembro de 2017, dos quais 70% (5.355) foram feitos por meio de cirurgias cesarianas.

“Parto adequado é aquele que garante a integridade da mãe e do bebê. Não cabe à Maternidade de Campinas, assim como a qualquer outra instituição de saúde, interferir na relação médico/paciente, assim como na decisão deles quanto ao tipo de parto a ser realizado. No entanto, dentro de normas e procedimentos determinados pelo Ministério da Saúde e pelas Sociedades de Ginecologia, de Pediatria, de Neonatologia, de Anestesiologia, entre outros, para garantir a assistência adequada ao binômio materno-fetal e neonatal vamos procurar conscientizar médicos e pacientes das vantagens do parto vaginal, sempre que ele for adequado”, explica o ginecologista, obstetra e diretor-presidente da Maternidade de Campinas, Dr. Carlos Ferraz.




Dos 7.658 partos realizados na Maternidade de Campinas nos nove meses deste ano, 3.712 foram feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), dos quais 2.043 (55%) por meio de cesáreas e 1.669 vaginais.

Já pela Saúde Suplementar (convênios) e particulares, o percentual é bem maior: 3.949, dos quais 3.312 cesáreas (83,93%) e 634 vaginais (16,7%).

“Como a Maternidade de Campinas é referência regional para a realização de partos de alto risco (prematuros, gemelar etc.), o percentual de cesáreas pelo SUS é bastante justificável. No entanto, na saúde suplementar, o percentual pode ser reduzido significantemente por meio da conscientização de pacientes e médicos quanto às vantagens do parto vaginal, tanto para as mães quanto para os bebês. A meta, em 18 meses, é aumentar o percentual de partos vaginais para cerca de 40% do total, ou seja, reduzir em pelo menos 10% o número de cesáreas realizadas na Maternidade de Campinas. O foco serão os partos de acordo com a classificação de Robson de 1 a 4 que, resumidamente, seriam as mulheres no primeiro parto ou no segundo, mesmo que o primeiro tenha sido feito por meio de cesárea”, explica o médico.

Quando não há indicação clínica, a cirurgia cesariana aumenta em 120 vezes a probabilidade de problemas respiratórios para o recém-nascido e triplica o risco de morte da mãe.

Cerca de 25% dos óbitos neonatais e 16% dos óbitos infantis no Brasil estão relacionados à prematuridade.

Em cesáreas desnecessárias, o recém-nascido pode sofrer complicações respiratórias imediatas e, se o parto for realizado antes das 39 semanas de gestação, o nascimento pode ocorrer antes da completa maturação pulmonar do bebê.

Como em toda intervenção cirúrgica, na cesárea existe risco de mortalidade derivada do próprio ato cirúrgico ou da situação vital de cada paciente.

A coordenação do Programa Parto Adequado orienta que, como não há evidências científicas que justifiquem agendar um parto com antecedência – salvo algum risco claro para a saúde da mãe e do bebê – é importante que as mulheres recebam informações e sejam parte ativa na decisão do tipo de parto.