Saúde | Brasileiros na terceira idade se preocupam mais com dinheiro do que com a própria saúde

Uma pesquisa realizada no Brasil e em outros países descobriu que, aqui, no nosso país, a maioria da população se preocupa com a velhice – especialmente com o risco de ficar sem dinheiro.

Quando a idade chega, a gente fica sabendo pelos outros.

“As pessoas sempre me chamam de ‘senhor’, todas as pessoas. Eu, quando vou no transporte público, justamente, as pessoas já começam a me oferecer lugar”, contou o pianista Aimar de Noronha Santinho.

Essa gentileza, muitas vezes, não agrada. Uma pesquisa feita em 30 países mostra que o brasileiro é o povo mais preocupado com a chegada da terceira idade.

O sujeito com bengala representa um idoso, todo mundo sabe. O símbolo funciona, como retrato, não. Claro que, com a idade, a saúde não é mais a mesma, mas hoje, quando a gente chega aos 60, ainda tem pela frente, 20, 30 anos de vida. O idoso de hoje precisa de dinheiro, mas não pensando tanto em cuidar da saúde; é para saúde e para tudo, por um bom tempo.

A pesquisa mostra que o brasileiro se preocupa mais com o risco de faltar dinheiro na terceira idade do que com o de perder memória, sentir dores, perder a independência, a audição ou a visão. Só o que preocupa mais do que o dinheiro é a perda de mobilidade.

Aimar tem 59 anos. A saúde está ótima. Faz dois anos, ele perdeu o emprego. E ainda faltam uns sete anos para poder se aposentar. Aí, ele juntou o talento com o do marido, Miguel, que é chef de cozinha. E os dois passaram a ganhar dinheiro oferecendo jantares em casa com música ao vivo.

“Esse dinheiro serve para poder complementar a nossa renda”, afirmou Aimar.

“Eu tenho uma previdência privada que futuramente vai ser a minha aposentadoria”, disse o chef de cozinha Miguel Silva Santinho.

A pesquisa ainda mostra que, para quase metade dos brasileiros, o mais importante na preparação para terceira idade é guardar dinheiro. Mas só 24% fazem isso.

“Nós saímos de uma situação que, na década de 60, as mulheres tinham em média sete filhos. Hoje, no Brasil, estão com menos de dois filhos, em média. Então, cada vez mais a gente vai ver que os idosos não têm ninguém para cuidar deles”, explicou Haroldo Torres, economista e demógrafo da Din4mo.

Dona Valmira sempre trabalhou como empregada doméstica. O corpo não aguenta mais a faxina.

“Ela criou quatro filhos sozinha. Nunca teve um dinheiro que pudesse falar: ‘ah, esse eu vou guardar’”, relatou Wanezza Soares, filha da dona Valmira.

Agora, Wanezza pagou para a mãe aulas de culinária. Dona Valmira está fazendo brigadeiros para vender.

“Se tiver algum defeitinho, a gente corrige, se tiver um maior que o outro – este aqui está maior do que o outro. Enquanto eu tiver saúde e andando, eu queria eu viver do meu dinheiro”, garantiu Valmira Maria da Silva, de 73 anos.

Afinal, dona Valmira sempre viveu assim. Mesmo quando os filhos achavam que ela estava descansando.

“Eu fazia escondido deles, sabia? Mas eu não posso estar falando senão a Wanezza vai descobrir”, confesso rindo dona Valmira.

As informações são do G1.

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