Startups campineiras ajudam pessoas com restrições e de baixa renda a locar imóveis na região

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Duas startups desenvolvidas em Campinas (SP) encontraram no nicho de jovens universitários e pessoas de baixa renda uma oportunidade de negócio no setor imobiliário. Com o objetivo de diminuir a burocracia que envolve o aluguel de imóveis, os empreendimentos usam critérios sociais que não excluem pessoas com o nome em serviços de proteção ao crédito ou sem fiadores.

Quando mudou de Suzano (SP) para Campinas, logo após conquistar uma vaga na Unicamp, Vinícius Freitas enfrentou dificuldades para conseguir alugar um imóvel. Outros colegas também tiveram problemas, dado o tempo curto entre a divulgação do resultado e o início das aulas.

Do curso de tecnologia, mudou para a carreira de administração e, com a experiência ainda na memória, virou empreendedor.

“Entrevistei mais de 300 estudantes antes de iniciar a empresa para entender quais os principais problemas nesse processo”, conta.

A plataforma conta com tour 360º pelas opções de moradia e é negociada digitalmente, o que, segundo Freitas, hoje com 25 anos, acredita que acelera o processo de concretização do negócio.

“Hoje o menor tempo desde a visita até pegar as chaves foram quatro horas”.

No ar há um ano em Campinas e recentemente em São Carlos (SP), a plataforma que nasceu de um investimento de 36 mil reais já conta com mais de três mil imóveis cadastrados, com valores de aluguel a partir de R$ 700. O investimento online é primordial, segundo o empreendedor.

Para atrair os proprietários, Freitas e seu sócio, de 24 anos, planejaram uma garantia de pagamento em caso de inadimplência. No entanto, apesar dos pré-requisitos menos burocráticos para o inquilino, diz que não tem inadimplentes.

“Quando começamos a trabalhar, era em uma casa. Hoje, temos escritório e 18 colaboradores diretos. Contando os indiretos, corretores, são mais de 40 pessoas. […] Nos primeiros 45 dias, movimentamos R$ 80 mil em receita. Sentimos que realmente a dor do mercado existia”, afirma.

Startup de Campinas possibilita aluguel de imóvel com menos burocracia e tem foco em população de baixa renda. — Foto: Reprodução/Alpop

Startup de Campinas possibilita aluguel de imóvel com menos burocracia e tem foco em população de baixa renda. — Foto: Reprodução/Alpop

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A experiência na área de habitação voltada para população de baixa renda, provocou uma inquietação na carreira de Lilian Veltman, de 60 anos.

A ideia da plataforma que beneficiasse esse público, baseada na análise de confiabilidade do inquilino, surgiu da união entre um instituto voltado para projetos urbanos de inclusão e uma empresa de software com atuação na área de cidadania. Virou realidade há quatro meses em Campinas e já se expande para São Paulo.

“A população de baixa renda prioriza aluguel e alimentação sobre todas as outras coisas. A habitação, porque o risco de perder e não conseguir outra é muito grande. Isso está acima dos pagamentos de prestações e até de farmácia”, conta.

Assim como a startup focada em universitários, a plataforma tem um fundo próprio para garantir o pagamento do aluguel ao proprietário. Também não há casos de inadimplência. Cerca de 500 proprietários já foram atendidos.

“O valor mínimo atualmente para aluguel está em torno de R$ 500, e máximo R$ 1,7 mil. A faixa média é entre R$ 900 e R$ 1,2 mil”, conta Lilian.

Solução no aperto

Uma dívida e o nome sujo nos serviços de proteção ao crédito foram motivo de preocupação para o cabeleireiro Lucas Fonseca, de 23 anos. A restrição gerou uma impossibilidade de conseguir locar um imóvel pelos meios tradicionais.

Conheceu a opção de aluguel para pessoas com restrição de renda e conta que em um mês conseguiu um lugar para morar.

“Penso que é uma conquista num momento difícil. O sentimento que tive foi de saber que nem tudo está perdido. Foi essa sensação que eu tive. E ainda tem possibilidade que pode ajudar as pessoas que têm dificuldades”, lembra.
Lucas Fonseca alugou apartamento por meio de startup voltada para pessoas com baixa renda, em Campinas. — Foto: Arquivo pessoal/Lucas Fonseca

Lucas Fonseca alugou apartamento por meio de startup voltada para pessoas com baixa renda, em Campinas. — Foto: Arquivo pessoal/Lucas Fonseca

Recém-chegado em Campinas para estudar na Unicamp, Felipe Chagas, de 18 anos, estava ainda em Brasília quando começou a procurar um imóvel perto da universidade. A indicação da plataforma online veio de um amigo, que também passou pela transição. Junto com a família, conseguiu escolher sua nova residência.

“Achei fantástico, não poderia ir a Campinas porque tinha algumas coisas pra resolver em Brasília ainda. E essa comodidade, achei muito bom. Conseguiu fazer com antecedência”, afirma.

As informações são do G1.

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